Que cada estação traz uma nova dieta, não é novidade. As novas tendências na alimentação já consideraram a sopa de repolho a solução das barriguinhas proeminentes para, alguns verões depois, substitui-la pelo mundo das carnes de South Beach. Mas a bossa agora vem das hortas: é a comida viva.Não, não se trata de comer o bichinho da alface ou de sair mordendo as vacas no pasto! A comida viva é uma vertente do vegetarianismo onde o alimento ingerido não é cozido e, além disso, prioriza a ingestão de brotos e sementes germinadas. Laticínios, glúten, sal e açúcar também estão proibidos, além das carnes, claro. Mas isso não significa que a comida se resume a saladas: há muitos pratos quentes, e desde que a temperatura não ultrapasse 40°, está tudo bem! Os vegetais também podem ser desidratados, à baixas temperaturas e bem lentamente. Além disso, muitos sucos, sobremesas, e sopas completam um cardápio variado.
Os adeptos da comida viva acreditam que os alimentos dessa dieta possuam uma concentração nutricional maior que a "comida normal". De acordo com David Jubb, o neurofisiologista australiano que é o "pai" da life food , os alimentos perdem enzimas essenciais durante o cozimento. Já as sementes e grãos germinados, liberam grande quantidade de enzimas. Diz ainda que os alimentos industrializados tornam o sangue mais ácido, e quanto mais alcalino este for, melhor é para a saúde.
A alimentação viva, porém, está longe de ser um consenso e muitos nutricionistas discordam da funcionalidade e dos fundamentos dessa dieta. Concordam, no entanto, que de fato os grãos e sementes germinados são alimentos saudáveis e podem desempenhar papel importante nas dietas vegetarianas. A transição, no entanto, para a alimentação viva deve ser feita aos poucos, substituindo-se alguns alimentos no início, para que o corpo e os hábitos possam se adaptar.
Outro aspecto que os adeptos da alimentação viva valorizam são as vantagens ecológicas de se comer alimentos naturais, crus, frescos e orgânicos. A indústria alimentícia é uma conhecida vilã da poluição e, além disso, a alimentação viva reduziria o gasto de água para o cultivo, o esgotamento do solo e o desmatamento, pois assim não se produziria alimentos "desnecessários" em escala industrial, sem mencionar os produtos de origem animal.
Como tática comercial, a comida viva não tem se provado muito eficaz, pelo menos no Brasil. Um dos motivos é o modismo: todos querem experimentar para logo depois esquecer. Outra razão é que os adeptos preferem cultivar e preparar sua comida em casa, evitando o gasto de energia e assegurando o frescor e o preparo adequado. No Rio de Janeiro, o Universo Orgânico , no Leblon, se autoproclama o único restaurante de comida viva do Brasil. Ou, pelo menos, o único em atividade. Comandado pela chef Tiana Rodrigues, fica na Rua Conde de Bernadote, 26, loja 105/106.
Saiba mais:
Vídeo: Daryll Hannah explica em seu programa tudo sobre comida viva (inglês)
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